NFL dobra investimento para combater lesões cerebrais

Um estudo anunciado em abril pela Academia Americana de Neurologia lançou o alarme, numa discussão que já tem muitos anos: mais de 40% dos jogadores de futebol americano apresentavam lesões cerebrais após terminarem a carreira, provocadas pelos constantes choques com a cabeça. A discussão era antiga (chegou a ser tema central do filme Concussão, protagonizado por Will Smith, que originou bastante polémica no ano passado) mas só agora a Liga de futebol americano (NFL) e as 32 equipas resolveram tomar medidas mais sérias, com o anúncio ontem de um investimento adicional de cem milhões de dólares (89 milhões de euros, dobrando o valor que já tinha destinado) para o desenvolvimento de tecnologias e apoio à investigação médica destes casos.


Play smart. Play safe (Joga de forma inteligente. Joga de forma segura) é o nome da iniciativa em que 60 milhões de dólares (54 milhões de euros) vão ser canalizados para o desenvolvimento de tecnologia, como por exemplo de capacetes melhorados, e 40 milhões (36) destinados à investigação médica.

A NFL vai criar um grupo especializado composto por médicos e cientistas independentes com o objetivo de identificar e apoiar as propostas mais convincentes para a investigação científica sobre concussões cerebrais, lesões na cabeça e os seus efeitos a longo prazo. Além disso, será nomeado um diretor clínico para trabalhar em conjunto com os médicos das 32 equipas, da própria NFL e do sindicato dos jogadores.

"Podemos e faremos melhor. Conseguimos importantes progressos em matéria de saúde e segurança. Fizemos mudanças nas regras de segurança, incentivámos avanços nos equipamentos, melhorámos os protocolos médicos e mudámos a maneira como ensinamos a modalidade. Agora é dado mais um passo para atacar este grande problema", referiu Roger Goodel, comissário da NFL.

Durante vários anos a Liga de futebol americano foi alvo de muitas críticas pelo longo período em que desvalorizou o impacto dos choques físicos na saúde dos jogadores. Só a partir de 2002 começou a ser feita alguma coisa neste campo (não diretamente relacionado com lesões cerebrais), com a NFL a criar 42 regras com o objetivo de proteger os jogadores e a aumentar o número (29) de pessoal médico presente em cada jogo.

Foi precisamente nesse ano de 2002 que o médico Bennet Omalu identificou lesões cerebrais na autópsia feita a Mike Webster, ex-jogador dos Pittsburgh Steelers que se suicidou aos 50 anos. "Observei mudanças que não deveriam estar no cérebro de um homem de 50 anos e que não deveriam estar num cérebro que parecia normal", afirmou o médico no documentário League of Denials.

Dez anos depois, em 2012, um novo caso voltou a abalar a NFL. Dave Duerson, antigo defesa dos Chicago Bears, também se suicidou e deixou um bilhete a doar o seu cérebro para investigação. Cientistas da Universidade de Boston chegaram à conclusão de que padecia de lesões cerebrais.

Estudos e mais estudos

Antes do estudo anunciado em abril pela Academia Americana de Neurologia, que tem igualmente como objetivo ajudar os cientistas a compreender melhor a encefalopatia traumática crónica associada à demência, depressão e suicídio, outros já tinham alertado para este tipo de problema. Em setembro de 2014, uma pesquisa identificou que nas autópsias feitas a 79 jogadores de futebol americano, 76 apresentavam doenças degenerativas causadas por situações de jogo.


Também um banco de dados denominado Concussion Watch, que reúne informações da NFL, sites das equipas e de uma empresa de análises estatísticas sobre os jogadores, detetou que em três anos foram identificados 446 casos de concussão cerebral ou ferimentos na cabeça dos atletas.

Outro estudo da NFL feito em 2015 indicava que um jogador de futebol profissional sofre em média entre 1000 a 1500 colisões com outros jogadores ou quedas no campo por cada temporada, algumas a atingir forças sobre o corpo de 20 g ou mais, o equivalente a levar uma pancada de um carro a circular a 55 quilómetros/hora. Agora, todos esperam que este novo investimento sirva para baixar o número de casos.

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