Por que não existem patrocínios nas camisas da NFL?

A ideia de uma marca sendo exposta na camisa de um time é algo plenamente comum ao mundo do futebol, especialmente a partir do final da década de 1970. Com o aumento no custo dos jogadores e cada vez maior internacionalização dos esporte – jogador saindo de um lugar para outro – a lei da oferta/demanda fez com que o preço do passe dos atletas disparassem. Com isso, novas formas de monetização foram procuradas, dado que ao contrário do futebol americano, apenas há inserções comerciais antes, no intervalo e depois das partidas. Entre essas novas opções de monetização procuradas pelo futebol, os patrocínios nas camisas.

Este é um modelo de negócio, o qual vigora na bola redonda há quase 40 anos. É o modelo que o brasileiro está acostumado – afinal, a maior parte de nós conheceu o futebol antes de conhecer o futebol americano. Aí, surge a pergunta: por que não existem patrocínios nas camisas de futebol americano? Por que não há marcas estampadas nas jerseys?


A resposta parece fácil, mas não é. Para respondê-la, é necessário analisar o modelo de negócio quase centenário que existe em voga na NFL. Primeiro de tudo, um anúncio na camisa – algo que revolucionou a Premier League em sua criação, em 1992 – seria algo meramente supérfluo em termos financeiros. Já entram bilhões e bilhões de dólares por meio de contratos de TV, venda de produtos oficiais e ingressos em estádios constantemente lotados. Esse dinheiro da TV é bem maior, proporcionalmente falando, na NFL em relação ao futebol – até porque há possibilidade das redes de televisão colocarem mais anúncios por conta do futebol americano parar mais.

Não que um belo dia, no mais puro espírito capitalista, os donos de franquia não pensaram: por que não ganhar mais dinheiro?

E pensaram. Anúncios já apareciam nas jerseys da CFL (a liga de futebol canadense) e na breve empreitada da NFL Europa. Eram retângulos acima do “coração” dos atletas. Ainda no início da década de 2000, o feed internacional do Super Bowl tinha a linha de primeira descida com a marca da FedEX. No período, o assunto começou a ser cada vez mais debatido pelos donos de franquias.

“Depois de um dado argumento mais caloroso, o dono dos Steelers, Dan Rooney, mandou a Roger Goodell (então vice-presidente executivo da liga, ainda não comissário) uma camisa de seu time com vários retângulos contendo as mais diversas marcas, tal qual ocorria na NASCAR. Isto, disse Rooney na carta, é o que estamos tentando evitar”, conta Michael McCambridge em seu genial livro, America’s Game.

No final das contas, o debate foi vencido pela ala conservadora. O argumento arrebatador não foi meramente quanto à “integridade” do jogo e em preservar as camisas tais quais eram há década atrás. Mas a questão da eventual disparidade entre o financeiro de equipes em mercados consumidores maiores e menores. Ao início da década passada, a diferença entre o montante arrecadado (isto é, em verbas não divididas igualmente entre os 32 times, como o dinheiro da TV) estava crescendo cada vez mais. Anúncios seriam pagos de acordo com o tamanho do mercado consumidor.

Por óbvio, times em mercados consumidores menores – como Oakland, Buffalo, Jacksonville e boa parte da Conferência Americana – receberiam menos dinheiro do que as franquias da NFC East. O que faria sentido, dado que a exposição da marca anunciada seria menor. Então, pela paridade, os donos mais conservadores – como Rooney – venceram a discussão.

Que ainda não acabou. A partir da próxima temporada (2017-2018) a NBA terá patrocínios nas camisas. Tal qual na CFL ou na NFL Europa, o maior basquete do mundo terá “patches” nas camisas. O primeiro time a fechar um patrocínio – um patch de 10 cm por 10 cm – foi o Philadelphia 76ers com a StubHub, site de venda de ingressos. O valor? 5 milhões de dólares. O Golden State Warriors, por sua vez, quer entre 15 e 20 milhões de dólares para estampar uma marca. É isso que Rooney e outros da NFL não querem.


Há exceções, claro. Em camisas de training camp é permitido que as equipes possam colocar patrocínios. Os Patriots, por exemplo, colocam a Gillette – empresa cuja sede fica em Boston, aliás – nessas camisas. Em partidas oficiais, a NFL permite no máximo patches comemorativos ou em homenagem a alguém ligado à franquia. Os próprios Patriots tiveram o patch em homenagem à esposa do dono, Robert Kraft, que faleceu em 2011.

O paradigma da NBA pode acabar sendo seguido no futuro. A NFL continua sendo praticamente o único reduto onde a verba de anúncios entra nos intervalos comerciais. Como são um monte deles, pode ser que durante o jogo em si possa não ser necessário que eles existam – salvos as exceções “não agressivas”, em coisas que já existem no jogo (como headsets da BOSE, usados pelos técnicos, vide abaixo).


Mas como o dinheiro por vezes fala mais alto, não duvide que isso mude no futuro.
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